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Canceriana. Que faz artes com o corpo. Portoalegrense de nascimento, brasiliense de coração. Ou seja, dividida entre dois amores...

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Encontro das águas.

Como águas que navegam por seus cursos, nos encontramos. No asfalto, como peixes fora d'água. Águas em movimento, sempre, mesmo que aparentemente paradas.
Ondulava...Tateava. O teu caminho era reto, seguro. Ou como oceano imponente além mar. Era o que parecia. Para impressionar? Para me impressionar?
Minhas águas mornas titubeavam entre uma onda e outra. Tinhas águas quente vinham avassaladoras, mesmo que aparentemente calmas e quietas. Quietude parece que não havia de lado algum. Um turbilhão de sons, lugares e sotaques.
Somos águas opostas, mas talvez complementares?
Sou água doce. Navego calmamente como o lago que é rio ou o rio que é lago, da foz ao estuário, sem pressa. Ondulando. Minhas pequenas ondas batem na margem. Acariciam-te. Sou um pequeno rio-lago que desemboca numa laguna. Por isso te encontrei: as lagunas correm para o mar.
Tu és água salgada: um mar ou oceano. Grande... Navega de um lugar a outro. Não para e não parece ter fim. Eu tenho pouso certo, e tu? A incerteza é teu nome. E varias conforme a maré. Há momentos de ondas baixas e calmas; e outros de convite ao surf. Deixa eu te surfar?
Como a água doce encontra a salgada?Onde está nossa laguna? Derramo-me sobre ela. Invade-a. E por alguns instantes nos encontramos. Efêmeros como o encontro das águas. Sem mistura. 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

sábado, 3 de dezembro de 2016

Das profecias...

Há 17 anos, numa das minhas inúmeras mudanças, uma amiga jogou cartas. Dizia ela que tanto fazia x ou y, qualquer lugar que eu fosse seria passageiro. Meu lugar era z. Descreveu a cidade e, como era gaúcha, usou como referência uma cidade local. Disse-me: parece... Nunca morei na cidade citada.
Nos últimos 17 anos, morei em seis cidades. Algumas vezes me mudei por causa do jornalismo. Outras, em função da dança.
Há cerca de 10 anos, participei do "Mulheres reais", do então Banco Real. Histórias escolhidas a partir da pergunta: o que você já fez por um sonho, viravam comercial no GNT. Contei que havia deixado a gerência de Comunicação de uma estatal, em Brasília (cidade que amo), para ir para São Paulo fazer faculdade de dança. Contei que ouvi que era velha para fazer isso... (Eu tinha 28 anos quando fiz a mudança).
Por causa da dança, deixei Brasília uma segunda vez e fui fazer mestrado e doutorado na Bahia. Fiquei três anos lá. Em maio, me exonerei da universidade onde dava aulas e voltei para o Rio Grande do Sul. No dia em que me exonerei, fiquei pensando: mas a dança foi a escolha certa? Essa dúvida me doía. Eu danço desde os três anos...
Um belo dia, acordo na casa de uma amiga e, quando saio para a rua, olho ao meu redor. Será? Eu pensei. Eu vi, naquela hora, a cena descrita há 17 anos. Beijei a correntinha da santa que minha irmã me deu (não sou católica, mas serviu como um patuá) e saí para fazer aquilo que eu acho que sei fazer...
Pois bem, ao que tudo indica, eu vou viver lá, na cidade citada. E mais, eu vou viver da dança.